A partir de uma articulação com os centros acadêmicos dos cursos de Sistemas de Informação, Direito, Jornalismo e Ciências Sociais, a Desvelar e a Coalizão Tecnopolíticas Pan-Amazônicas (CTP) realizaram a oficina “Estratégias de Enfrentando ao Racismo na Internet” no campus Rio Branco da Universidade Federal do Acre.



Com insumos da linha do tempo de danos e discriminação algorítmica, a oficina apresenta casos de racismo mediados pela tecnologias digitais, oferece uma contextualização técnico-política e compartilha estratégias de mobilização a partir de experiências do ativismo no Brasil. A oficina foi oferecida anteriormente em Belém durante o minicurso “EGI – Belém: Reflexões sobre internet e territórios a partir das Amazônias” e reuniu ativistas dos 9 estados da Amazônia brasileira.
Em Rio Branco, a atividade foi articulada desde abril com os centros acadêmicos da Ufac. Trata-se de uma oportunidade para ativistas e pesquisadores engajados na pauta antirracista de se conectarem o debate direitos humanos diante das tecnologias digitais. A estudante do curso de Jornalismo, Beatriz dos Santos, compartilhou que “tivemos que elaborar uma proposta de intervenção, nesse momento conheci vários termos”, ela destacou ainda a importância de “botar o cérebro para pensar nas propostas”.
Casos mapeados
Parte importante da oficina é conhecer e aprofundar o debate sobre discriminação algorítmica através de estudo de casos. Nesse sentido, os participantes têm contato com uma pequena amostragem da linha do tempo, que abrange desde notícias sobre como o recurso de inteligência artificial do Canva incluiu cocaína em fotografia da intelectual negra Lélia Gonzales, até o ChatGPT classificar brasileiros do sudeste como ‘mais inteligentes’ e inferiorizar Norte e Nordeste.

Juntos, os participantes refletem coletivamente sobre as razões que fundamentam cada caso, os sujeitos envolvidos, os danos causados e medidas preventivas que deveriam ter sido adotadas. O contato com os casos estimula um processo de percepção crítica das tecnologias que sensibiliza o olhar para identificar como esses fenômenos podem ocorrer no cotidiano e serem adequadamente documentados.
Trocas e mobilização
A estudante Emanuelle Nascimento comentou que “achei a atividade muito dinâmica e como sou das Ciências Sociais, adoro fazer essa troca de ideia com as pessoas”. Ela apontou a importância de “realizar a atividade com pessoas de diferentes nichos e cursos” devido a possibilidade de construir “uma visão bem mais ampla do que deve ser trabalhado nas estrutura sociais”, especialmente “referente ao impacto que as tecnologias digitais atuais causam nas pessoas pretas”.



“como aluno de Sistemas de Informação, nunca tinha parado para pensar que inteligências artificiais generativas poderiam ter ações e impactos tão problemáticos e preocupantes”.
Filipe Souza
O estudante de Sistemas de Informação, Filipe Souza compartilha ainda que “poder ver como colegas de outros cursos pensam sobre problemas que envolvem tecnologia é bastante interessante”, o que inclui “os impactos discutidos pelas Ciências Sociais e também a forma como as grandes mídias e big techs influenciam por meio das redes sociais, explicada pelo pessoal do Jornalismo”.
As oficinas são lugares onde se constrói, se conserta e se descarta. São nestes espaços que surgem estratégias de solução, como as gambiarras, e se reconhece que algo pode não ter conserto. Ao falar em racismo na internet, é partir destes diagnósticos coletivos sobre a gravidade dos danos que podemos pensar em novas abordagens e propostas de intervenção interdisciplinares.

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