Aconteceu em julho o XIV COPENE NACIONAL, a décima quarta edição do Congresso de Pesquisadoras/es Negras e Negros, na Universidade de Brasília. Milhares de pessoas pesquisadoras, professoras e estudantes desenvolveram atividades em torno de seus projetos e do tema deste ano, Contribuição do Pensamento Afrodiaspórico para a Democracia Brasileira.
Estivemos presentes em três atividades ao longo do congresso. A primeira foi a apresentação de pesquisa “Margens ao centro na regulação de I.A.: análise de propostas normativas dos EUA e Colômbia” com resultados parciais de nosso projeto contínuo sobre mapeamento de controvérsias regulatórias em torno do mundo. Juliane Cintra e Gustavo Souza apresentaram o trabalho na sessão temática “Educomunicação, edtechs, mídias, robótica, jogos, Inteligência Artificial e outras tecnologias no ensino” .





O estudo faz leitura crítica das propostas regulatórias de inteligência artificial lançadas pelos Estados Unidos e pela Colômbia, lideradas por mulheres negras – respectivamente Alondra Nelson e Yesenia Olaya. Através de análise dos documentos AI Bill of Rights (EUA, 2022) e do PL proposto pelo Ministério de Ciência e Tecnologia da Colômbia (2025), em cruzamento com entrevistas das formuladoras citadas, buscamos debater controvérsias atuais sobre regulação de inteligência artificial e possíveis marcadores explícitos de conceitos do feminismo negro na formulação de políticas públicas em países marcados pelo racismo estrutural.

A mesa “Saberes e metodologias afrodiaspóricas para pensar as artes, a comunicação, as tecnologias e a democracia no Brasil” foi organizada por Larissa Macêdo (projeto ater e Belas Artes) e contou com Tarcizio Silva (Desvelar), Gustavo Souza (Desvelar) e Gabriela de Almeida Pereira (Comitê de Tecnologia da Marcha das Mulheres Negras). Foram abordados temas como as tecnologias ancestrais, a inteligência artificial, as deepfakes e o amor como prática política, entendidos como disparadores que apontam para novos caminhos metodológicos para repensar de forma contracolonial a pesquisa acadêmica.

Finalmente, a mesa “Racismo Algorítmico, Colonialismo digital e extrativismo de dados: tópicos para uma agenda epistêmica” foi composta por Tarcizio Silva (Desvelar), Deivison Faustino (FSP – USP), Priscila Vieira Bastos (UFRGS) e Mariana Gomes da Silva Soares (Conexão Malunga). Foram discutidos conceitos de racismo algorítmico, colonialismo digital e extrativismo de dados como subsídio à compreensão dos impactos raciais destas transformações sociotécnicas, propondo uma agenda de pesquisa atenta às relações entre tecnologia e racialização.
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