GFNE, a Economia Política da I.A. e a justiça ambiental e racial

Participamos, na primeira semana de agosto, do encontro do Global Fund for a New Economy, em dias intensivos de debates sobre infraestrutura pública digital e a economia política da I.A.. Com o tema The Political Economy of AI: rethinking the digital state, envolveu a participação de dezenas de representantes de governos, setor privado, sociedade civil e academia. Diversos eixos temáticos foram palco de contribuições de atores importantes da governança de inteligência artificial, adensando as conversas e recomendações sobre trabalho, integridade informacional, soberania, desafios energéticos e ambientais, além de lentes da Maioria Global.

Colaboramos em especial na mediação da trilha Environmental and Racial Justice (Justiça Ambiental e Racial). A trilha partiu do diagnóstico de que os sistemas de IA implantados na administração pública são treinados com dados que carregam a geografia histórica de quem foi considerado legível para as instituições como produtivo, digno de crédito ou seguro, e quem foi gerenciado, policiado ou excluído. Implementações como reconhecimento facial, algoritmos de pontuação de crédito e sistemas de risco preditivo codificam a desigualdade racial na tomada de decisões administrativas. A conversa focou em idealizar formas de regulamentação nacional e cooperação internacional para dar aos cidadãos e às comunidades afetadas supervisão e autoridade democrática sobre os sistemas digitais que moldam cada vez mais suas vidas.

Representantes das organizações LAPIN, IRIS, IP.rec, Decodifica, Derechos Digitales, IDEC e Multitudes realizaram contribuições que compartilharam ideias e experiências ligadas a iniciativas como geração cidadã de dados, articulação com legislativo para cobrar regras ambientais para data centers e defender a participação de comunidades afetadas.

Entre os pontos de convergência entre as diferentes falas, podemos destacar como a noção de zonas de sacrifício tem sido adotada para descrever a aceleração de políticas públicas e empresariais que estabelecem regiões e comunidades que podem ter seus direitos infringidos frente a noções de desenvolvimento tecnológico que beneficiam a apenas pequena parte da população mundial.

A atividade reforçou a importância do compromisso pela articulação para promover a comunidades afetadas tanto o fortalecimento de habilidades críticas e cidadãs quanto o acesso a espaços na tomada de decisões sobre nosso futuro tecnológico.