por Tarcizio Silva
O I Congresso Internacional sobre Tecnologias Digitais e Desigualdades Raciais, realizado em 31 de julho e 01 de agosto foi um novo marco para a maturidade do campo que busca combater o aprofundamento de desigualdades impulsionado por fatores como plataformização e inteligência artificial.




Contou com a participação de organizações e pesquisadores brasileiros e estrangeiros em temas de destaque no cenário como: Saúde Digital e relações étnico raciais, Plataformas digitais e as desigualdades, IA e suas relações com as desigualdades sociais, Tecnologia Educação e antirracismo, Direitos Digitais e Racismos, Impacto Social das tecnologias digitais. É organizado por AqualtuneLab, Instituto Sumaúma, Instituto Mancala e Reafro.
Tive a honra de realizar a palestra de encerramento do congresso e poder contar um pouco sobre os desafios que enfrentamos mas também sobre vitórias que merecem ser celebradas.
Quanto aos desafios, propus sugestão de agenda de pesquisa para 2030, tratando de temas como a aceleração da incidência anti controle social, convergência de racismo ambiental e algorítmico e a revanche da epistemologia da ignorância.
Sobre as conquistas, listei cinco áreas onde devemos celebrar vitórias! (1.) Temos uma crescente conexão no tema com legisladores, (2.) o judiciário avança na compreensão do problema e (3.) temos já dezenas de referências bibliográficas em português – fatores que são causa e consequência dessa (4.) maturidade expressa no próprio congresso: 42% dos artigos apresentados no congresso citaram leis, projetos de lei, políticas públicas, decretos e afins.

Talvez a maior vitória a celebrar, porém, é estar junto e se reconhecer. Na sociedade civil organizada e na academia/pesquisa, (5.) coletivos, ongs e grupos surgiram nos últimos 15 anos para estudar o tema, enfrentar os danos e criar novos futuros. Na tela acima um exemplo de quase 50 grupos que atuam nesta missão, uma listinha que preparei de cabeça antes do evento e que é apenas um pedaço das redes fortalecidas no combate ao racismo algorítmico e outras ofensivas da opressão. Somam-se a outras organizações antirracistas que, por sua vez, também reconhecem que “nossos passos vêm de longe”.
